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Film Noir [parte I]

GUILHERME W. MACHADO Não há gênero mais charmoso e melancólico no cinema. O Noir começou no cinema americano dos anos 40, foi exportado para outros países (a França teve sua boa cota de grandes exemplares do gênero) e atravessou décadas, até os tempos modernos nos quais ainda reside em um ou outro grande filme. Quando decidi finalmente sentar e fazer uma lista mais organizada desse que é um dos meu gêneros preferidos, pensei em fazê-la bastante grande, um grande compilado de noirs que eu amo, de todas épocas. Num segundo momento percebi que o projeto poderia ficar bem mais interessante dividido em duas partes: a primeira contemplaria o noir clássico e tradicional, enquanto a segunda abrangeria o dito neo-noir. Como os critérios de separação não são muito claros, adotei os seguintes: preto e branco e abaixo dos anos 60, são as duas condições para entrar nessa primeira parte da lista; colorido e acima dos anos 60 são as características que passam o filme para a segunda parte da lis...

A Dama de Shanghai (Orson Welles, 1947)

GUILHERME W. MACHADO When I start out to make a fool of myself... there´s very little can stop me. Pode não ter toda a inovação de Cidadão Kane  [1940] ou a qualidade técnica embasbacante de A Marca da Maldade [1958], mas fato é que A Dama de Shanghai consegue figurar entre os grandes filmes de Welles, com sua mágica combinação de entretenimento com alta qualidade cinematográfica. Como é de costume do gênero noir, o filme abusa de uma trama cheia de reviravoltas e traições, propositalmente complicada e até confusa. Welles fez justiça, então, ao lado mais tradicional gênero (esse é o seu noir mais fiel), imortalizando ainda, junto de Gilda [1946], sua então esposa Rita Hayworth como uma das mais icônicas femmes fatales do cinema.