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Mostrando postagens com o rótulo A Marca da Maldade

Film Noir [parte I]

GUILHERME W. MACHADO Não há gênero mais charmoso e melancólico no cinema. O Noir começou no cinema americano dos anos 40, foi exportado para outros países (a França teve sua boa cota de grandes exemplares do gênero) e atravessou décadas, até os tempos modernos nos quais ainda reside em um ou outro grande filme. Quando decidi finalmente sentar e fazer uma lista mais organizada desse que é um dos meu gêneros preferidos, pensei em fazê-la bastante grande, um grande compilado de noirs que eu amo, de todas épocas. Num segundo momento percebi que o projeto poderia ficar bem mais interessante dividido em duas partes: a primeira contemplaria o noir clássico e tradicional, enquanto a segunda abrangeria o dito neo-noir. Como os critérios de separação não são muito claros, adotei os seguintes: preto e branco e abaixo dos anos 60, são as duas condições para entrar nessa primeira parte da lista; colorido e acima dos anos 60 são as características que passam o filme para a segunda parte da lis...

Top 15 - Planos-Sequência

GUILHERME W. MACHADO Plano-sequência, como muitos termos traduzidos de outras linguas (no inglês seu equivalente seria long take ou extended take), varia seu significado. Como critério de corte dessa lista, considero, portanto, suas carecterística mais primordiais: um plano único (sem cortes), de duração acima do normal e envolvendo em algum momento movimentação de câmera. Aviso desde já que, por motivos práticos, não considerei os filmes plano-sequência, falsos ou verdadeiros, como Festim Diabólic o [1948], Arca Russa [2002], Birdman [2014], e afins. Simplesmente não consigo vê-los no mesmo critério de comparação dos outros planos que duram entre 2 e 10 minutos. Enfim, não vou me alongar na introdução, pois, diferentemente do normal, escrevi uma pequena explicação para cada uma de minhas escolhas.

A Dama de Shanghai (Orson Welles, 1947)

GUILHERME W. MACHADO When I start out to make a fool of myself... there´s very little can stop me. Pode não ter toda a inovação de Cidadão Kane  [1940] ou a qualidade técnica embasbacante de A Marca da Maldade [1958], mas fato é que A Dama de Shanghai consegue figurar entre os grandes filmes de Welles, com sua mágica combinação de entretenimento com alta qualidade cinematográfica. Como é de costume do gênero noir, o filme abusa de uma trama cheia de reviravoltas e traições, propositalmente complicada e até confusa. Welles fez justiça, então, ao lado mais tradicional gênero (esse é o seu noir mais fiel), imortalizando ainda, junto de Gilda [1946], sua então esposa Rita Hayworth como uma das mais icônicas femmes fatales do cinema.