GUILHERME W. MACHADO O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. (PESSOA, Fernando) Os livros de história documentam os eventos do passado, guerras, tratados, leis e civilizações; apenas a arte, todavia, é capaz de dar vida a esses elementos, traduzindo-os numa comunidade viva, com todos seus charmes e idiossincrasias. O Grande Hotel Budapeste é um filme sobre a passagem do tempo, sobre a mudança de eras. Wes Anderson adota um olhar nostálgico na criação dessa sua cativante fábula sobre a Europa nos anos 30, em contraposição ao olhar mais decadente para a mesma nos anos 60 e nos tempos atuais. O próprio tempo que provém o charme a uma época passada, uma vez que só se pode adotar um olhar saudosista sobre o que já passou, desvirtua-nos do mesmo, inevitavelmente.