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Mostrando postagens com o rótulo Nouvelle Vague

Hiroshima meu Amor (Alain Resnais, 1959)

GUILHERME W. MACHADO Não deixa de ser incrível como Resnais conseguiu manter tamanha coerência temática em sua longa carreira sem, na maioria das vezes, ter escrito seus próprios roteiros. Já em Hiroshima meu Amor , seu primeiro e mais conhecido longa-metragem, é possível enxergar distintamente as marcas de seu cinema. Seja nos aspectos formais, como a edição que movimenta a narrativa não-linear e a movimentação de câmera  –  que remete muito mais a um estilo moderno de fluxo que à mise-en-scène predominante na virada dos anos 50 pros 60  –  seja nas suas principais obsessões temáticas: o tempo e a memória. É um engano, entretanto, crer que as fundações de seu cinema partem daqui, uma vez que todos esses elementos já haviam sido ensaiados  com maestria  nos seus curtas, dentre os quais destaca-se o brilhante Noite e Neblina (1955).

Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)

GUILHERME W. MACHADO É louvável como Martin Scorsese conseguiu, principalmente no início de sua carreira, se equilibrar entre o cinema europeu "autoral" (não gosto muito da determinação, mas a uso na ausência de uma descrição mais clara), com claras influências da Nouvelle Vague francesa, e o cinema moderno americano, com clara influência do lendário John Cassavetes, o qual ele ajudou a moldar. Quem Bate à Minha Porta? [1969], Caminhos Perigosos [1973], Taxi Driver [1976], e Touro Indomável [1980] são alguns exemplos de filmes que ficaram no meio termo desses dois modos, antes totalmente opostos, mas que começavam a convergir de forma interessante a partir dos anos 70, de fazer cinema. Tido por muitos como a obra prima definitiva de Scorsese, Touro Indomável certamente é um marco no cinema americano e um filme de enorme influência.