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Mostrando postagens com o rótulo Noir

No Silêncio da Noite (Nicholas Ray, 1950)

GUILHERME W. MACHADO Difícil é encontrar cinema mais verdadeiro do que o de Nicholas Ray. Mesmo em seu momento mais visualmente maneirista (mais pela natureza do gênero do que por qualquer outro motivo), Johnny Guitar [1954] é uma obra que transborda emoção, raiva e paixão dos seus personagens, num turbilhão alucinante que mantém a intensidade do início ao fim. Um filme glorioso, nem preciso dizer. No Silêncio da Noite , frequentemente aclamado como sua obra prima, e não sem motivos, figura entre os exemplares cinematográficos mais amargos da solidão humana numa grande cidade.

Film Noir [parte II]

GUILHERME W. MACHADO Fechando, então, minha seleção noir [confira aqui a primeira parte] , é a vez do chamado neo-noir. Filmes posteriores à época de ouro do gênero, entre os anos 40 e 50, mas que mantém referências claras ao mesmo e uma abordagem estilística semelhante, ainda que adaptada também ao cinema de seu tempo. Não há decréscimo de qualidade; por mais que o noir tenha há muito deixado de ser um gênero predominante, ele ainda é muito bem representado no cinema moderno, tendo sido constantemente reinventado - às vezes em exercícios narrativos bem interessantes - sob a ótica de grandes mestres, como Jean-Pierre Melville, Roman Polanski, Brian De Palma ou David Lynch, para ficar apenas em alguns.

Film Noir [parte I]

GUILHERME W. MACHADO Não há gênero mais charmoso e melancólico no cinema. O Noir começou no cinema americano dos anos 40, foi exportado para outros países (a França teve sua boa cota de grandes exemplares do gênero) e atravessou décadas, até os tempos modernos nos quais ainda reside em um ou outro grande filme. Quando decidi finalmente sentar e fazer uma lista mais organizada desse que é um dos meu gêneros preferidos, pensei em fazê-la bastante grande, um grande compilado de noirs que eu amo, de todas épocas. Num segundo momento percebi que o projeto poderia ficar bem mais interessante dividido em duas partes: a primeira contemplaria o noir clássico e tradicional, enquanto a segunda abrangeria o dito neo-noir. Como os critérios de separação não são muito claros, adotei os seguintes: preto e branco e abaixo dos anos 60, são as duas condições para entrar nessa primeira parte da lista; colorido e acima dos anos 60 são as características que passam o filme para a segunda parte da lis...

O Samurai (Jean-Pierre Melville, 1967)

GUILHERME W. MACHADO Não antes de passados 9 minutos da projeção de O Samurai [1967] que há a primeira fala do filme. Até então somos apresentados – de forma absolutamente apropriada, deve-se dizer – à Jef Costello, um homem enigmático, elegante e que opera por um código pessoal rígido e claramente fora da lei. Com pouco menos de 10 minutos de imagens habilmente construídas e editadas, Jean-Pierre Melville cria e expõe um dos personagens mais emblemáticos da história do cinema, que viria a ser inspiração para muitos outros, como o Neil McCauley (Robert De Niro) em Fogo contra Fogo [1995], ou mais recentemente (e descaradamente) o motorista de Drive [2011], interpretado por Ryan Gosling.

A Dama de Shanghai (Orson Welles, 1947)

GUILHERME W. MACHADO When I start out to make a fool of myself... there´s very little can stop me. Pode não ter toda a inovação de Cidadão Kane  [1940] ou a qualidade técnica embasbacante de A Marca da Maldade [1958], mas fato é que A Dama de Shanghai consegue figurar entre os grandes filmes de Welles, com sua mágica combinação de entretenimento com alta qualidade cinematográfica. Como é de costume do gênero noir, o filme abusa de uma trama cheia de reviravoltas e traições, propositalmente complicada e até confusa. Welles fez justiça, então, ao lado mais tradicional gênero (esse é o seu noir mais fiel), imortalizando ainda, junto de Gilda [1946], sua então esposa Rita Hayworth como uma das mais icônicas femmes fatales do cinema.