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Sniper Americano (2014)

MATHEUS R.B. HENTSCHKE Muitos autores literários já produziram obras que revelam o ufanismo e o nacionalismo como uma característica de dissociação da realidade. Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, livro do autor pré-modernista Lima Barreto, tem-se a saga do funcionário público Policarpo, que dedica sua vida inteira a louvar e a idolatrar o seu país, não importando as consequências de tamanha obsessão. Contudo, tal excesso o leva a perder as pessoas ao seu redor, sua sanidade e, até mesmo, sua vida. Nesse aspecto, Sniper Americano, mais novo filme de Clint Eastwood (Jersey Boys), apresenta mais um protagonista que se utiliza da bandeira de sua pátria, a fim de dar um sentido a sua vida, não importando o quanto isso irá afetar a si e as pessoas mais próximas a ele.

Sniper Americano (Clint Eastwood, 2014)

GUILHERME W. MACHADO O que faz um herói? Adotando uma proposta menos radical do que a do clássico de Martin Scorsese ( Taxi Driver , 1976), Clint Eastwood desconstrói o típico herói americano, puxando desde suas origens até o fim de sua trajetória, mostrando-nos uma ótica que nem sempre corresponde com a idealização feita sobre o ídolo popular. Clint pode ser uma personalidade pública de opiniões fortes e de visão política abertamente republicana; durante sua carreira sempre se destacou, entretanto, por sua imparcialidade como diretor – sobre os mais diversos assuntos – e seu total respeito pelo ser humano e seus direitos, vide filmes como Invictus (2009), Gran Torino (2008) e Cartas para Iwo Jima (2006). Acredito piamente que há, pelo menos sempre deveria haver, um distanciamento entre a pessoa privada e a pessoa artística que estende-se, também, às obras.