
GUILHERME W. MACHADO
O enredo do filme passa-se numa pequena ilha no litoral americano. A população de tal local é mínima e seus trabalhos são, em sua maioria, voltados para o turismo no verão por conta das praias. Em pleno início da alta temporada, pessoas começam a morrer na praia devido a ataques de um tubarão. Em princípio, a cidade faz um esforço conjunto, liderado pelo prefeito, para tentar negar a situação e manter as praias em funcionamento, até que se torna inevitável e eles contratam um estranho pescador, que terá ajuda do chefe da polícia local e de um estudioso de tubarões, para matar o animal.
Spielberg, naquela época um diretor bem iniciante, demonstrou uma consciência incrível de seu ofício na construção de seus quadros. Tubarão, ao invés de ser um filme de exibicionismos – armadilha comum para alguns diretores mais egocêntricos –, é uma obra contada através de imagens, inteligentemente articuladas e editadas. Não são necessárias muitas explicações ou cenas de diálogos expositivos que cortariam o ritmo (um dos elementos mais importantes do suspense) da obra para que compreendêssemos tanto a lógica daquela pequena sociedade quanto a dos próprios personagens, sobre os quais somos dados apenas um mínimo de informações. Os dispositivos cinematográficos tão bem empregados por Spielberg nos fazem perceber a história de uma forma incrivelmente natural.

Embalado pela clássica trilha de John Williams – na qual também se percebe a influência hitchcockiana, lembrando as lendárias trilhas de Bernard Herrmann – Tubarão é um perfeito exemplar de que o suspense e o terror são gêneros simples, basta conhecer seus mecanismos para extrair o melhor deles. Em meio a uma péssima fase passada pelos dois gêneros nos últimos anos, com filmes que apostam nos métodos errados para alcançar seus resultados pífios e passageiros, esse filme de Spielberg, que completa 40 anos neste ano de 2015, se faz cada vez mais relevante.
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