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Mostrando postagens com o rótulo Terror

10 Giallos Preferidos (Especial Halloween)

GUILHERME W. MACHADO Então, pra manter a tradição do blog de lançar uma lista temática de terror a cada novo Halloween ( confira aqui a do ano passado ), fico em 2017 com o top de um dos meus subgêneros favoritos: o Giallo. Pra quem não tá familiarizado com o nome  –  e certamente muito do grande público consumidor de terror ainda é alheio à existência dessas pérolas  –  explico rapidamente no parágrafo abaixo, mas sem aprofundar muito, pois não é o propósito aqui fazer um artigo sobre o estilo. Seja para já apreciadores ou para os que nunca sequer ouviram falar, deixo o Giallo como minha recomendação para esse Halloween, frisando  –  para os que torcem o nariz  –  que essa escola de italianos serviu como referência e inspiração para muitos dos que viriam a ser os maiores diretores do terror americano, como John Carpenter, Wes Craven, Tobe Hooper, e até diretores fora do gênero, como Brian De Palma e Quentin Tarantino.

A Hora do Lobo (Ingmar Bergman, 1968)

GUILHERME W. MACHADO Bergman mergulha como nunca em sua carreira no expressionismo para fazer A Hora do Lobo . Os fantasmas imaginados pelo personagem de Max Von Sydow são expressões dele mesmo, reflexos distorcidos de uma alma que sofre. Johan – o homem em questão – é assombrado por traumas do seu passado, eventos que podem variar da sua infância a relacionamentos amorosos mal-resolvidos. E é nesse tipo de terreno psicológico, trabalhando com mentes perturbadas, que Bergman tira alguns de seus melhores trabalhos.

20 Filmes sobre Serial Killers

GUILHERME W. MACHADO Elemento clássico dos filmes policiais, suspense e terror, a figura do serial killer já foi explorada diversas vezes ao longo da história do cinema. Alguns cineastas abordaram o lado patológico, outros os utilizaram como metáforas, uns como "mal encarnado", e outros simplesmente como peões cruéis num exercício de estilo estético. Juntei aqui 20 ótimos filmes de propostas diversas que abordam essa temática. Eles não estão arranjados em ordem de preferência , o propósito e a seleção em si e ordenando-os de forma alfabética também é possível perceber como a temática progrediu e foi tomando diferentes formas com o passar das décadas. É bem certo que alguns cineastas, como Fincher, Argento ou Kurosawa (Kiyoshi), dedicaram-se mais que a média no assunto, realizando vários filmes de alta qualidade com Serial Killers, mas para fazer uma lista mais variada escolhi apenas uma inserção de cada.

Corra! (Jordan Peele, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Se o dito comum anuncia que é tênue a linha que separa tragédia e comédia, o que surpreende não são filmes como Corra! e sim o fato de não haver muitos outros [competentes] exemplos de terror com pegada cômica. A estreia na direção de Jordan Peele – pronto para ser precocemente anunciado como novo gênio, uma síndrome bem recorrente ultimamente –, se por um lado impressiona pela solidez, também não deixa de revelar uma carência no público atual (e nesse mote também pode ser incluída boa parte da crítica), que se agarra a qualquer sinal de esperança num gênero banalizado. Todo ano um filme é anunciado “o melhor terror dos últimos anos”, em 2015 foi It Follows  (2014), em 2016 foi A Bruxa  (2015), e em 2017 é Corra! .

John Carpenter: O Terror Deve Continuar

GUILHERME W. MACHADO Há tempos que eu ensaiava de escrever sobre essa característica que tanto me chama atenção no Carpenter: a inconclusão, o terror que se recusa a acabar. Como essa semana acabei revendo a obra-prima O Enigma de Outro Mundo (1982), acho que o momento é tão oportuno quanto qualquer outro. Seguramente tem muitos elementos característicos no cinema do americano (seu uso do widescreen, as trilhas sonoras com sintetizadores, a forma como embrulha temas políticos em alta ficção científica...) dignos de serem explorados, mas um artigo de cada vez, no momento me detenho nesse aspecto.

Creepy (Kiyoshi Kurosawa, 2016)

GUILHERME W. MACHADO O terror vem de dentro. Retomando a cartilha de um dos seus filmes mais aclamados, Cure [1997], o mestre japonês Kiyoshi Kurosawa volta ao tema dos serial killers em Creepy [2016], depois de uma década longe do cinema de horror. Sou fã declarado do diretor, embora infelizmente ainda não tenha conseguido ver alguns de seus filmes, e o que chama mesmo atenção em seus trabalhos, acima dos enredos, que não fogem tanto assim dos padrões do gênero, é a peculiaridade de sua mise-en-scène, a forma diferenciada de como ele conduz suas histórias visualmente.

Os 10 Filmes mais Aterrorizantes do Cinema (Especial Halloween)

GUILHERME W. MACHADO Por mais que o Halloween não seja uma data simbólica aqui no Brasil, em termos cinematográficos ainda é um momento muito específico e que demanda alguma atenção. Ano passado eu fiz uma lista bastante genérica, cujo objetivo era pontuar alguns filmes de terror que bem representassem diferentes rumos do gênero. A ideia agora é lançar uma lista nova a cada Halloween, adotando em cada uma um novo critério de seleção. Pra esse Halloween 2016, escolhi os 10 filmes que considero mais assustadores do cinema. Vale ressaltar que medo é uma coisa muito pessoal e, no meu caso, o que mais me impressiona é justamente o quanto um filme pode ser perturbador, muito mais do que a quantidade de sustos que ele detém (que nunca ficam comigo por muito tempo). Justamente por ser um critério bastante pessoal, escrevi uma pequena explicação dos motivos pelos quais cada um desses filmes me impressionou tanto, vamos à lista:

Personal Shopper (Olivier Assayas, 2016)

GUILHERME W. MACHADO Autoconhecimento pelo medo. Curioso que nesse novo filme de Assayas – fácil um dos maiores diretores franceses vivos – o medo, o horror em si, não serve à plateia, como seria de se esperar num filme de terror, mas sim à personagem de Kristen Stewart. Não que não haja apelo na história de Personal Shopper , pelo contrário, várias questões/recursos do gênero estão em voga aqui, e é especialmente divertido ver como o diretor conseguiu convergir diferentes subgêneros numa peça única. A questão é que nada disso parecer ter sido feito com a intenção de tirar satisfação do espectador, sendo o propósito mais plausível um incomum estudo de personagem que usa o terror como artifício psicológico para abordar questões não materiais.

Top 10 - Mario Bava

GUILHERME W. MACHADO Já é tempo desse grandíssimo diretor ser mais conhecido e reverenciado, pois, embora goze de muito prestígio por parte de um público específico, nunca teve a popularidade de um Wes Craven, por exemplo. Bava é o pai do terror, um dos maiores diretores do gênero, tendo fundado grande parte dos seus alicerces. Não só isso, é um verdadeiro poeta de luz e sombra, bem como das cores. Sua participação nesse aspecto ultrapassava o âmbito do diretor, uma vez que o italiano também era diretor de fotografia da maioria de seus filmes. Por muito tempo ausente do mercado brasileiro de home video, todos esses filmes de Bava, além de outros ótimos, podem ser encontrados atualmente em versões restauradas nas excelentes coleções lançadas pela Versátil (não, eu não ganho nada pra falar isso): Obras Primas do Terror (vol.1-4) e A Arte de Mario Bava.

Top 10 - John Carpenter

GUILHERME W. MACHADO Finalmente passei por cima da procrastinação e montei um top 10 desse que é um dos meus diretores preferidos - não de terror, não da geração dele, não dentre os americanos, um dos meu preferidos e ponto. Dono de um talento cênico tão apurado que pode se dar ao luxo de ser econômico (num gênero marcado por excessos), John Carpenter certamente figura entre os grandes contadores de história do cinema, com um dom narrativo anormal. Em praticamente todos seus filmes, somos apresentados a um mundo novo, que por vezes pode até ter lá suas semelhanças com o nosso, mas apenas semelhanças. A facilidade com que o diretor cria esses universos e a falta de didatismo com a qual nos faz entender as suas regras em cada novo filme espanta. Fora que pouquíssimos, se é que teve algum, conseguiram criar atmosferas tão envolventes e cativantes com tão pouco (vide A Bruma Assassina , ou Halloween ), muito menos com a frequência com que Carpenter fez.

Top 25 - Terror

GUILHERME W. MACHADO Sem grandes surpresas pra quem já me acompanha no Letterboxd , essa é uma versão alternativa da lista que tenho lá (aqui foquei mais no terror mesmo, deixando alguns thrillers de fora). Gosto do terror principalmente como exercício estético e narrativo, por ser um gênero que dá bastante espaço para diretores com senso aguçado de estilo e ritmo. O medo, portanto, não é o principal fator para minha apreciação de um filme de terror, embora seja um componente valioso do mesmo. Enfim, me limitei a escolher apenas um filme por diretor para evitar que a lista fosse dominada por três ou quatro nomes (Argento, Bava, Carpenter, Cronenberg, Shyamalan, Tourneur e Fulci combinados preencheriam facilmente umas 3 listas dessa).

Fome de Viver (Tony Scott, 1983)

GUILHERME W. MACHADO É assustador constatar que Fome de Viver foi apenas o primeiro filme de Tony Scott. Assustador porque é um filme muito sólido e maduro   – num nível atípico para cineastas iniciantes – , dotado de momentos impressionantes e um patamar de direção que o próprio autor não voltou a apresentar em sua carreira de quase 3 décadas. Por mais que tenha tido outros trabalhos interessantes, como o ótimo Déjà Vú [2006], Scott jamais voltaria a se arriscar num terreno tão experimental e anticomercial. SPOILERS: Esse texto revela elementos da trama, não leia sem ter visto o filme.

Banho de Sangue (Mario Bava, 1971)

GUILHERME W. MACHADO Banho de Sangue pulsa, como pulsa o sangue vermelho escarlate do filme (sangue quanto mais artificial mais divertido, não?), num ritmo frenético e intimidante da percussão que rege sua trilha sonora. Em toda brilhante carreira de Mario Bava, nunca houve um filme tão preocupado com a relação entre o ato de olhar e a própria morte. Os personagens, em sua maioria, encontram suas mortes neste clássico pelo simples ato de olhar ou de ter olhado em momentos inapropriados.

Corrente do Mal (David Roberts Mitchell, 2014)

GUILHERME W. MACHADO Apesar deste não ser um ato recorrente por si só, geralmente quando escrevo sobre um filme de terror acabo falando muito sobre minha insatisfação com o cenário atual do gênero. Não pretendo fazer isso desta vez. Corrente do Mal , como todo filme que chega com boa hype, foi alvo de exageros por duas partes dentro da crítica especializada: uma considerou-o uma revolução no gênero, um filme de extrema originalidade; a outra opôs-se justamente à essas afirmações, buscando diminuir o filme ao citar suas influências.

A Visita (M. Night Shyamalan, 2015)

GUILHERME W. MACHADO Deve ser complicado, artisticamente falando, para alguns diretores ter sua personalidade tão em evidência. Chega um ponto em que seus filmes são julgados – pelo menos no nível popular, mas muitas vezes pela própria crítica – pela sua persona pública. Woody Allen sofre disso mais do que qualquer outro, Clint Eastwood experimentou a sensação com Sniper Americano [2014], Lars Von Trier busca se beneficiar disso e acaba transformando-se num bobo da corte, e M. Night Shyamalan sofre por dois extremos: o daqueles que têm alta expectativa de ver outro Sexto Sentido [1999] – filme endeusado desproporcionalmente –, ou o daqueles que acham que o diretor apenas fará filmes como O Último Mestre do Ar [2010].  

10 Filmes para ver no Halloween

GUILHERME W. MACHADO Aproveitando a data, ainda que ela não seja tão emblemática aqui no Brasil, para lançar uma lista temática. Que fique bem claro que essa não é minha lista de filmes de terror preferidos (se for o caso, me disponho a lançá-la aqui no blog no futuro), apenas algumas sugestões de filmes que considero bem interessantes dentro do gênero e que acho bem adequados para o clima da data, apesar de não serem necessariamente "filmes de halloween" (filmes cujo enredo se passa nessa ocasião).

Tubarão (Steven Spielberg, 1975)

GUILHERME W. MACHADO A sugestão é uma ferramenta característica do cinema de terror, principalmente antes de ser possível fazer qualquer coisa com CGI (efeitos especiais gerados por computadores). Ela induz uma imagem mental no espectador que se estabelece por associações cuidadosamente construídas através do que nos é visível em cena; uma imagem geralmente mais assustadora do que a sua verdadeira face, uma vez que a visualizamos na sua essência mais profundamente genérica, sem as falhas do real. Tubarão [1975], filme no qual Steven Spielberg mais mostra sua forte influência hitchcockiana, é um dos exemplos cinematográficos mais proeminentes de utilização da sugestão, do fora de quadro, numa construção narrativa.

Terror nas Trevas (Lucio Fulci, 1981)

GUILHERME W. MACHADO O cinema, enquanto arte, sempre pôde ser visto como uma ferramenta de fuga da realidade, uma desconstrução da mesma. Terror das Trevas , considerado por muitos a obra prima do mestre Lucio Fulci, é um atestado de insanidade criativa, de puro terror que desafia qualquer lógica ou explicação. Por esse motivo, é muito difícil assisti-lo pela primeira vez, uma vez que, como espectadores, somos treinados à buscar cuidadosamente explicações para todos eventos e trazer uma dose, mínima que seja, de racionalidade para o filme que assistimos. Nessa obra, isso é impossível.

Psicose (Alfred Hitchcock, 1960)

GUILHERME W. MACHADO   OBS: Esse texto revela segredos da trama (SPOILERS), não leia antes de ver o filme. Norman Bates: It's not like my mother is a maniac or a raving thing. She just goes a little mad sometimes. We all go a little mad sometimes. Haven't you? Marion Crane: Yes. Sometimes just one time can be enough.     Pessoas imperfeitas em situações extremas. Marion Crane (Janet Leigh) sempre fora uma jovem responsável, mas que começa a ser atordoada pelo fantasma do casamento, enquanto seu namorado Sam Loomis (John Gavin) está enterrado em dívidas, o que impossibilita o matrimônio. Norman Bates (Anthony Perkins) é um jovem dono de um pequeno motel de estrada que cresceu reprimido pela sua mãe controladora que o mantém preso à sua infância. Psicose mostra como qualquer pessoa, nas circunstâncias certas, pode ser levado à ações irracionais.

Onibaba (&) Kuroneko (Kaneto Shindô, 1964/1968)

GUILHERME W. MACHADO Decidi, contrariamente aos meus costumes, fazer uma crítica conjunta para essas duas notáveis obras do mestre japonês Kaneto Shindô. A verdade é que não o faço somente pelo fato de serem ambos os filmes do mesmo diretor, mas sim pela forma como as obras dialogam, não apenas de estilo, mas também em enredo. A meu ver,  Kuroneko  seria um aperfeiçoamento, em múltiplos aspectos que serão esclarecidos futuramente neste texto, dos princípios já presentes em  Onibaba – A Mulher Demônio , que, além de seus méritos consideráveis, tem também o da originalidade. Primeiramente quero apresentar algumas semelhanças entre as obras. Ambas são formadas por um triângulo principal de personagens envolvendo uma mãe, a nora e um homem interessado na nora. As duas mulheres principais matam samurais nos dois filmes, mudando apenas o motivo pelo qual o fazem. Nos dois está presente um conflito entre prazer x castigo/religiosidade, sendo que este sempre envolve a nor...