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Mostrando postagens com o rótulo Ficção-Científica

Corra! (Jordan Peele, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Se o dito comum anuncia que é tênue a linha que separa tragédia e comédia, o que surpreende não são filmes como Corra! e sim o fato de não haver muitos outros [competentes] exemplos de terror com pegada cômica. A estreia na direção de Jordan Peele – pronto para ser precocemente anunciado como novo gênio, uma síndrome bem recorrente ultimamente –, se por um lado impressiona pela solidez, também não deixa de revelar uma carência no público atual (e nesse mote também pode ser incluída boa parte da crítica), que se agarra a qualquer sinal de esperança num gênero banalizado. Todo ano um filme é anunciado “o melhor terror dos últimos anos”, em 2015 foi It Follows  (2014), em 2016 foi A Bruxa  (2015), e em 2017 é Corra! .

Matrix (Lilly & Lana Wachowski, 1999)

GUILHERME W. MACHADO Quando eu era criança eu amava Matrix ; totalmente viciado. O mais curioso foi revê-lo depois de tantos anos e perceber que, por mais que eu lembrasse de todos eventos – e mais, quase todas linhas de diálogo –, eu não tinha pego, realmente, o espírito do que os irmãos (agora irmãs) Wachowskis construíram. Não estou dizendo com isso que Matrix é um filme ultracomplexo e quem não gosta é por ignorância (sequer sou muito chegado no excesso de blá blá blá filosófico do filme); digo apenas que, quando criança, eu não tinha a bagagem de referências (me refiro às cinematográficas, não filosóficas) necessárias para VER o  filme como ele era: um filme, um cativante exercício de manipulação da realidade.

Minority Report (Steven Spielberg, 2002)

GUILHERME W. MACHADO Spielberg expande-se dentro de sua zona de conforto e volta – ainda que timidamente – às suas origens: o suspense. A ficção e o estilo blockbuster-de-luxo, tão firmemente adquiridos ao longo de anos de sucesso, não deixam de constar; eles misturam-se, entretanto, ao Spielberg mais visceral dos seus primeiros anos, quando realizou obras como Encurralado [1971] e Tubarão [1975]. Como resultado surge um filme que dialoga com essas duas épocas tão distintas da carreira desse grande cineasta e que propõe, ainda, uma questão bastante rica: pode-se condenar alguém por um crime que ainda não cometeu, mas cometerá?

Interestelar (Christopher Nolan, 2014)

GUILHERME W. MACHADO “ Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará. ” (Gênesis 3:19) Interestelar , à primeira vista, é surpreendente vindo de Nolan. Um dos atuais porta-bandeiras do dito “cinema comercial” – tipo de filme que acabou ganhando conotação negativa com o passar dos anos, mas que não necessariamente significa de má qualidade – se dedica a um projeto com ares mais autorais. Por outro lado, ao se olhar para o filme com mais atenção, percebe-se Nolan em toda extensão da obra. É um projeto ambicioso, de fato, mas não seriam também: Amnésia , pela inversão narrativa que propõe; A Origem pela complexidade de sua trama e a grandiosidade que almeja; e a Trilogia Batman , pela reinvenção de um ícone há décadas enraizado na cultura popular? Nolan sempre vestiu a máscara do “cinema comercial” enquanto buscava algo além do puro entretenimento. Ou pelo menos é nisso que acreditam seus ...

Fuga de Nova York (John Carpenter, 1981)

GUILHERME W. MACHADO John Carpenter sempre foi um cineasta com a notória habilidade de criar um mundo paralelo completamente absurdo e fazê-lo de forma perfeitamente natural e crível para quem assiste seus filmes. A meticulosa cadência com a qual desenvolve seus universos e a sua facilidade de expor as regras particulares deste sem tornar-se meramente didático fazem de Carpenter um dos maiores manipuladores da história do cinema  –  e não, não faço essa afirmação na empolgação, a apoiarei sempre que me for solicitado. Dentre todos seus talentos, que são bastante consideráveis, esse é, para mim, um dos que mais merecem destaque, se não for seu principal.