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Mostrando postagens com o rótulo Biografia

Sully (Clint Eastwood, 2016)

GUILHERME W. MACHADO Mais 40 anos de experiência deram ao piloto Sully a bagagem necessária para operar o seu “milagre” – como foi proclamado – no rio Hudson no auge do inverno de 2009 em Nova York. Quase os mesmos 40 e poucos anos de experiência em direção que permitiram a Clint Eastwood confeccionar seu filme mais enxuto (não apenas por ser um dos menores de sua carreira) e preciso. Sully é mesmo, seja no seu enredo ou na execução, um filme de precisão glacial, com um mínimo de floreios. O problema é que toda essa concisão, que, garanto, foi meticulosamente articulada, faz com que o filme pareça simplório ao olhar de alguns.

Top 10 - Filmes Biográficos

GUILHERME W. MACHADO Não sou, realmente, um grande fã de biografias no cinema. Nem mesmo de filmes baseados em eventos reais ou filmes de reconstrução histórica, que seguem uma linha parecida. O problema reside muito na prática comum de tratar essas obras com muita exatidão, fazendo delas mais uma simples reconstrução de fatos e eventos do que um objeto de exploração para sentimentos ou personalidades que, apesar de serem individuais, refletem muito nas sociedades nas quais estão inseridas. Claro, toda regra tem sua exceção e - sendo justo - a biografia é um formato que oferece bastante, mas raramente é aproveitado. Tenho notado com particular intensidade que recentemente têm-se feito ótimas cinebiografias. O formato sempre teve lá sua popularidade, principalmente nos resultados do Oscar; é recentemente, entretanto, que ele tem explorado novos potenciais, muito, acredito, através do avanço do cinema digital (que, sem querer entrar nos méritos dessa longa discussão, tem sim coisas ...

Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)

GUILHERME W. MACHADO É louvável como Martin Scorsese conseguiu, principalmente no início de sua carreira, se equilibrar entre o cinema europeu "autoral" (não gosto muito da determinação, mas a uso na ausência de uma descrição mais clara), com claras influências da Nouvelle Vague francesa, e o cinema moderno americano, com clara influência do lendário John Cassavetes, o qual ele ajudou a moldar. Quem Bate à Minha Porta? [1969], Caminhos Perigosos [1973], Taxi Driver [1976], e Touro Indomável [1980] são alguns exemplos de filmes que ficaram no meio termo desses dois modos, antes totalmente opostos, mas que começavam a convergir de forma interessante a partir dos anos 70, de fazer cinema. Tido por muitos como a obra prima definitiva de Scorsese, Touro Indomável certamente é um marco no cinema americano e um filme de enorme influência.

Selma- Uma Luta Pela Igualdade (2014)

MATHEUS R.B. HENTSCHKE Barack Hussein Obama II foi o primeiro presidente negro eleito na história dos Estados Unidos da América. Tal vitória não foi obtida por uma campanha eleitoral ou sequer pelo voto dos seus eleitores, mas sim por uma longa e antiga batalha protagonizada por bravos homens e mulheres, jovens e velhos, negros e brancos que lutaram contra todos os mais diversos tipos de injustiças e barbáries cometidas por aqueles que viam na igualdade racial um motivo de ódio e de total repúdio. Nesse contexto, Selma- Uma Luta Pela Igualdade veio com a responsabilidade de ilustrar os esforços de um homem e seus discípulos, a fim de obter a humanidade que é direito a todos, todavia que era um privilégio até pouco tempo atrás. 

Sniper Americano (Clint Eastwood, 2014)

GUILHERME W. MACHADO O que faz um herói? Adotando uma proposta menos radical do que a do clássico de Martin Scorsese ( Taxi Driver , 1976), Clint Eastwood desconstrói o típico herói americano, puxando desde suas origens até o fim de sua trajetória, mostrando-nos uma ótica que nem sempre corresponde com a idealização feita sobre o ídolo popular. Clint pode ser uma personalidade pública de opiniões fortes e de visão política abertamente republicana; durante sua carreira sempre se destacou, entretanto, por sua imparcialidade como diretor – sobre os mais diversos assuntos – e seu total respeito pelo ser humano e seus direitos, vide filmes como Invictus (2009), Gran Torino (2008) e Cartas para Iwo Jima (2006). Acredito piamente que há, pelo menos sempre deveria haver, um distanciamento entre a pessoa privada e a pessoa artística que estende-se, também, às obras.

Grandes Olhos (2014)

MATHEUS R.B. HENTSCHKE Frequentemente se vê nos noticiários inúmeros casos de violência contra às mulheres. Esse número é tão espantoso que, em pesquisa realizada recentemente, 3 em cada 5 mulheres jovens disseram já ter sofrido algum tipo de violência. Contudo, a dúvida que perpassa a cabeça de quem ouve tais atrocidades ocorrerem é: “Por que essas mulheres, muitas vezes, não tomam uma atitude? Não se separam de seus maridos abusivos? Não denunciam tais agressores?” Nesse sentido, o mais novo trabalho do diretor Tim Burton (Ed Wood), Grandes Olhos , consegue trazer à tona tal debate, em uma obra que se diferencia muito do teor de seus filmes anteriores.

O Jogo da Imitação (Morten Tyldum, 2014)

GUILHERME W. MACHADO O Jogo da Imitação confronta-se com uma tarefa quase tão difícil quanto a de seu protagonista: entrar na mente de um homem “extraordinário” (no sentido literal da palavra) e torná-la compreensível para as pessoas “ordinárias”. No início da década de 60, um cineasta visionário buscou algo semelhante, filmando um dos mais espetaculares estudos de personagem da história do cinema acerca de um personagem real e durante uma guerra real, essa obra segue como referência até hoje: Lawrence da Arábia (David Lean, 1962). Infelizmente, as semelhanças entre o novo filme da Weinstein Company e o clássico de Lean limitam-se apenas à ambição, passando longe da realização.