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Retrospectiva: 1977

GUILHERME W. MACHADO Percebi que 2017 já está quase acabando e tem vários grandes anos "aniversariantes" para os quais ainda não prestei homenagem. Entre eles, 1977. 77 foi ao mesmo tempo um ano de consolidação da maturidade de antigas lendas quanto do surgimento ainda cru de outras novas, o que se reflete de forma tão óbvia nessa seleção com jovens em ascensão como Lynch, Scorsese e Woody Allen intercalados com figurões consolidados como Buñuel, Resnais e Cassavetes. No meio destes há ainda grandes como Herzog (que certamente está na briga quando se fala no melhor cineasta daquela década) e Argento, ambos também em processo de amadurecimento.

O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012)

GUILHERME W. MACHADO Como o filme de grande cidade que é, O Som ao Redor  acaba por abordar uma multiplicidade de temas através de seu mosaico de personagens. Longe de difuso, entretanto, Kleber Mendonça filho consegue manter sua unidade temática da mesma forma que vem fazendo em sua jovem carreira: explorando à exaustão um punhado específico de assuntos que se repetem sistematicamente na estrutura de suas obras. Como muitos grandes cineastas – e digo isso sem emancipá-lo a essa posição tendo apenas dois longas metragens no currículo – Kleber é obcecado.

10 Giallos Preferidos (Especial Halloween)

GUILHERME W. MACHADO Então, pra manter a tradição do blog de lançar uma lista temática de terror a cada novo Halloween ( confira aqui a do ano passado ), fico em 2017 com o top de um dos meus subgêneros favoritos: o Giallo. Pra quem não tá familiarizado com o nome  –  e certamente muito do grande público consumidor de terror ainda é alheio à existência dessas pérolas  –  explico rapidamente no parágrafo abaixo, mas sem aprofundar muito, pois não é o propósito aqui fazer um artigo sobre o estilo. Seja para já apreciadores ou para os que nunca sequer ouviram falar, deixo o Giallo como minha recomendação para esse Halloween, frisando  –  para os que torcem o nariz  –  que essa escola de italianos serviu como referência e inspiração para muitos dos que viriam a ser os maiores diretores do terror americano, como John Carpenter, Wes Craven, Tobe Hooper, e até diretores fora do gênero, como Brian De Palma e Quentin Tarantino.

Retrospectiva: 1957

GUILHERME W. MACHADO Dando seguimento à minha proposta de resgatar alguns anos (começada aqui ), puxo agora 10 filmes de 1957, que considero um dos anos mais fortes da década de 50. A densidade de obras-primas é grande; pode ser um ano só, mas um que concentra: o meu Fellini preferido, possivelmente meu Kurosawa preferido, um dos melhores do Tourneur, DOIS Bergmans, um filmaço subestimado do Chaplin, um top 3 do Kubrick e uma das melhores dentre as tantas obras-primas que Nicholas Ray fez nessa década. Pra resumir numa frase: é um ano tão bom que tem dois filmes de um dos meus diretores preferidos (Billy Wilder) e nenhum deles entrou nesse top 10.

Mãe! (Darren Aronofsky, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Então... Demorei, confesso, para escrever esse texto. Não porque precisava de tempo para pensar, afinal o filme é tão plano quanto as palavras de seu diretor, revelando prontamente suas intenções na tentativa de passa-las por algo mais complexo. Demorei precisamente porque a busca por importância na qual incorrem diretores como Aronofsky é, em geral, apelativa a um público sempre à procura de um gênio; pensei, portanto, se era uma polêmica que valia a pena ser comprada (até porque incitar essas discórdias insossas faz parte da estratégia de venda de Mãe! , e isso eu não queria alimentar de jeito nenhum).

Ranqueado, Terrence Malick

GUILHERME W. MACHADO Dentre os cineastas mais inventivos da atualidade, Malick é outro daqueles autores polarizados entre fãs e haters, com a maioria dos cinéfilos – eu seguramente, embora atualmente já tenha me definido bem mais quanto a ele  – transitando entre os dois grupos. Não sou, por exemplo, grande fã dos 3 últimos filmes dessa lista; tiro proveito deles, posso até dizer que gosto de Amor Pleno  (2012). Os outros dois não é que considero como fracassos, são filmes interessantes, mas em comparação ao êxtase que o restante de seus títulos me provoca, ficam devendo. E com Malick, embora em todos seus trabalhos haja base para uma avaliação bem criteriosa, a experiência pessoal e subjetiva do espectador com cada filme conta muito, por conta da intimidade com a qual trabalha seu material.

Melhores Filmes da Década de 40

GUILHERME W. MACHADO Então, dando seguimento às listas de décadas aqui no blog ( começadas aqui ), vou para uma saudosista. Valem as mesmas regras, lembrando que, como disse no outro post: essa lista não será fixa, estará sempre sujeita à alterações , até porque nunca vou ter "acabado" de ver grandes filmes feitos nos anos 40, e mesmo revisões daqueles que já conheço podem mudar todo panorama. Nada mais apropriado que uma lista "inacabada", sempre em construção, como é a própria cinefilia.

Dunkirk (Christopher Nolan, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Ao dar uma entrevista sobre a versão estendida do relançamento de seu Aliens - O Resgate  (1986), James Cameron a descreveu, muito habilmente, como "alguns quilômetros a mais numa estrada ruim", referindo-se ao ritmo intenso e sufocante de suspense do filme. Não parece ser muito diferente do objetivo que move Christopher Nolan na realização do seu novo Dunkirk : o de fazer um filme de guerra pelo prazer estético e sensorial de fazer, sem construção de personagens, sem nenhuma mensagem plenamente formada, quase sem um enredo propriamente dito. Apenas quase 2h de uma estrada ruim, ou de um voo turbulento.

A Hora do Lobo (Ingmar Bergman, 1968)

GUILHERME W. MACHADO Bergman mergulha como nunca em sua carreira no expressionismo para fazer A Hora do Lobo . Os fantasmas imaginados pelo personagem de Max Von Sydow são expressões dele mesmo, reflexos distorcidos de uma alma que sofre. Johan – o homem em questão – é assombrado por traumas do seu passado, eventos que podem variar da sua infância a relacionamentos amorosos mal-resolvidos. E é nesse tipo de terreno psicológico, trabalhando com mentes perturbadas, que Bergman tira alguns de seus melhores trabalhos.

Retrospectiva: 1997

GUILHERME W. MACHADO Uma seleção de 10 dos filmes que mais gosto do ano de 1997, que completa duas décadas de aniversário. Não é um recorte dos mais importantes daquele ano, nem nada do gênero, apenas uma lista não muito rígida daqueles que para mim foram os melhores lançados naquele ano. Por isso não faço muito esforço para contemplar um espectro mais amplo de filmes e nem para incluir aqueles que não apelam tanto à minha pessoa, mesmo que estejam entre os mais "notáveis" daquele período, como Titanic  ou A Vida é Bela , filmes que provavelmente têm seus méritos por alcançarem a popularidade que alcançaram, mas que não me proporcionam o mesmo gosto que esses aqui escolhidos (que, aliás, me agradam bastante, belo ano este), da mesma forma que Violência Gratuita  parece ser bem impopular, geralmente detestado por crítica e público, mas que por algum motivo – doentio, só pode – eu defendo fortemente. De qualquer forma sintam-se sempre convidados a expor quais são seu...

20 Filmes sobre Serial Killers

GUILHERME W. MACHADO Elemento clássico dos filmes policiais, suspense e terror, a figura do serial killer já foi explorada diversas vezes ao longo da história do cinema. Alguns cineastas abordaram o lado patológico, outros os utilizaram como metáforas, uns como "mal encarnado", e outros simplesmente como peões cruéis num exercício de estilo estético. Juntei aqui 20 ótimos filmes de propostas diversas que abordam essa temática. Eles não estão arranjados em ordem de preferência , o propósito e a seleção em si e ordenando-os de forma alfabética também é possível perceber como a temática progrediu e foi tomando diferentes formas com o passar das décadas. É bem certo que alguns cineastas, como Fincher, Argento ou Kurosawa (Kiyoshi), dedicaram-se mais que a média no assunto, realizando vários filmes de alta qualidade com Serial Killers, mas para fazer uma lista mais variada escolhi apenas uma inserção de cada.

Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)

GUILHERME W. MACHADO Daniel Plainview é o sonho americano. Não a versão sonhadora dele; a versão real. O “self-made man” que vê as pessoas ao seu redor como obstáculos na sua busca por realização pessoal. Ele é o homem que, saindo do nada, trabalhou duro e conquistou a fortuna e o respeito que, na “terra das oportunidades”, é prometida àqueles que arregaçam as mangas e tomam conta do seu destino. O problema – e Sangue Negro ilustra isso magistralmente – é que, no processo, ele acaba tomando também conta do destino de outros, e a verdade é que o sonho americano do homem que simplesmente baixa a cabeça e se esmera no seu ofício é uma farsa.

Corra! (Jordan Peele, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Se o dito comum anuncia que é tênue a linha que separa tragédia e comédia, o que surpreende não são filmes como Corra! e sim o fato de não haver muitos outros [competentes] exemplos de terror com pegada cômica. A estreia na direção de Jordan Peele – pronto para ser precocemente anunciado como novo gênio, uma síndrome bem recorrente ultimamente –, se por um lado impressiona pela solidez, também não deixa de revelar uma carência no público atual (e nesse mote também pode ser incluída boa parte da crítica), que se agarra a qualquer sinal de esperança num gênero banalizado. Todo ano um filme é anunciado “o melhor terror dos últimos anos”, em 2015 foi It Follows  (2014), em 2016 foi A Bruxa  (2015), e em 2017 é Corra! .

Melhores Filmes da Década de 70

GUILHERME W. MACHADO Por muito tempo resisti em colocar listas de décadas aqui no blog, pelo principal motivo de que  –  embora imensamente divertido  –  é uma tarefa impossível em si mesma. Bem diferente de um diretor, ou até de um ano específico do circuito comercial, casos em que há um número palpável de filmes para ver, não tem como cobrir toda uma década de cinema com justiça. Não que eu nunca tenha feito listas de décadas, fiz até demais, centenas, e justamente por isso constatei o quanto elas são variáveis, cada vez que sento pra fazer sai uma diferente. Por outro lado, esse aspecto da renovação me agrada, então decidi adotá-lo aqui: essa lista não será fixa, estará sempre sujeita à alterações , até porque nunca vou ter "acabado" de ver grandes filmes feitos nos anos 70, e mesmo revisões daqueles que já conheço podem mudar todo panorama. Nada mais apropriado que uma lista "inacabada", sempre em construção, como é a própria cinefilia.

Resident Evil - Retribuição (Paul W.S Anderson, 2012)

GUILHERME W. MACHADO Não sei por que demorei tanto pra escrever sobre esse filme, muito menos por que demorei pra assistir o último ( Resident Evil: Final Chapter [2016]). Esse texto, mesmo que foque nesse que é ápice da saga Resident Evil , acaba servindo como análise conjunta de todos os últimos três capítulos dela dirigidos por Paul W.S Anderson: Afterlife (2010), Retribution (2012) e Final Chapter (2016). Não é o caso, todavia, do primeiro filme, Resident Evil (2002), que, embora também do diretor, é um produto completamente diferente dos rumos que a franquia veio a tomar.

Top 10 - Howard Hawks

GUILHERME W. MACHADO O mais sorrateiro dos autores da Hollywood clássica, Howard Hawks é um dos raros grandes diretores da época que justamente não buscava chamar atenção para um estilo próprio de mise-en-scène. O que não quer dizer que o cinema desse mestre não possui suas marcas, mas que essas não servem a um estilo rigoroso de fruição visual, e sim à proposta de cada material. Não à toa, Hawks em sua prolífica carreira passou com muito sucesso por praticamente todos gêneros tradicionais da chamada "época de ouro" hollywoodiana. Western, musical, screwball comedy, noir, aventura, ficção-científica, gangster... Pode escolher, ele fez de tudo, e com um número elevadíssimo de obras-primas, o que torna o meu trabalho de seleção bem complicado. Fora os astros, Hawks trabalhou com John Wayne, Marilyn Monroe, Cary Grant, Lauren Bacall, Humphrey Bogart, Montgomery Clift, Katharine Hepburn, Rita Hayworth etc, a maioria deles repetidas vezes. Por enquanto consegui ficar com os 1...

John Carpenter: O Terror Deve Continuar

GUILHERME W. MACHADO Há tempos que eu ensaiava de escrever sobre essa característica que tanto me chama atenção no Carpenter: a inconclusão, o terror que se recusa a acabar. Como essa semana acabei revendo a obra-prima O Enigma de Outro Mundo (1982), acho que o momento é tão oportuno quanto qualquer outro. Seguramente tem muitos elementos característicos no cinema do americano (seu uso do widescreen, as trilhas sonoras com sintetizadores, a forma como embrulha temas políticos em alta ficção científica...) dignos de serem explorados, mas um artigo de cada vez, no momento me detenho nesse aspecto.

Fragmentado (M. Night Shyamalan, 2016)

GUILHERME W. MACHADO Bizarro que a volta de Shyamalan ao sucesso ( Fragmentado custou apenas 9 milhões e já passou dos 250 nas bilheterias) seja com um filme que: 1) é mais uma extensão – provavelmente a mais radical – de seu tema preferido, o trauma; 2) subverte tanto daquilo que se espera na sua condução dentro do gênero de suspense. Sei que ainda vou me arrepender de escrever sobre esse antes de uma revisão, pois foi realmente uma experiência bem diferente do que eu esperava antes de ir para o cinema, mas no momento é inevitável.

Hiroshima meu Amor (Alain Resnais, 1959)

GUILHERME W. MACHADO Não deixa de ser incrível como Resnais conseguiu manter tamanha coerência temática em sua longa carreira sem, na maioria das vezes, ter escrito seus próprios roteiros. Já em Hiroshima meu Amor , seu primeiro e mais conhecido longa-metragem, é possível enxergar distintamente as marcas de seu cinema. Seja nos aspectos formais, como a edição que movimenta a narrativa não-linear e a movimentação de câmera  –  que remete muito mais a um estilo moderno de fluxo que à mise-en-scène predominante na virada dos anos 50 pros 60  –  seja nas suas principais obsessões temáticas: o tempo e a memória. É um engano, entretanto, crer que as fundações de seu cinema partem daqui, uma vez que todos esses elementos já haviam sido ensaiados  com maestria  nos seus curtas, dentre os quais destaca-se o brilhante Noite e Neblina (1955).

Top 20 - Martin Scorsese

GUILHERME W. MACHADO Sei bem que, de uma forma ou de outra, enfrento críticas com essa lista. Scorsese é um dos diretores mais populares, com muitos filmes queridos pelo público e uma série de favoritos "obrigatórios" que costuma engessar quaisquer tentativas de ranquear sua carreira. Não foi o que eu segui aqui  – para a óbvia insatisfação do leitor hipotético  –, mas também não é verdade que ignorei certos filmes apenas pela sua popularidade, até porque isso é ridículo.