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GUILHERME W. MACHADO Adotei, dessa vez, uma proposta bem diferente ao elaborar minha lista (que agora passa a ser anual) de filmes favoritos. Considero uma marca do meu gosto cinéfilo a versatilidade, mais no sentido da ausência de uma grande preferência (por algum gênero ou estilo) que se sobreponha dramaticamente ao restante dos meus favoritos. Valorizando essa noção, estipulei o critério de não repetir filmes de um mesmo diretor , permitindo assim a inserção de uma gama mais ampla de obras e referências. Essa decisão foi ao mesmo tempo libertadora, no aspecto de potencializar o alcance da lista dentro de minhas próprias preferências - abriu espaço para coisas que sempre estiveram à margem mas nunca tinham entrado -, como foi tortuosa, pois tive que tomar decisões semi-impossíveis com alguns diretores, algumas das quais exemplificarei abaixo. Agora chega de texto, vamos à lista:

Capitão América: Guerra Civil (Anthony & Joe Russo, 2016)

GUILHERME W. MACHADO Como fã de quadrinhos - e uma pessoa com apego nostálgico aos super-heróis, que perderam magia na mesma medida em que foram ganhando popularidade -, reconheço minha completa predisposição em sair satisfeito do cinema após ver esse filme. Capitão América: Guerra Civil é um filme cheio de conflitos (cada personagem carrega os seus, fora aqueles que concernem a todos), com uma carga de adrenalina bem elevada e [rasos] embates filosóficos sobre o autoritarismo – semelhante nisso ao seu predecessor, Capitão América: O Soldado Invernal – que, na leveza da proposta, em nada machucam. (Texto SEM SPOILERS)

Top 25 - Terror

GUILHERME W. MACHADO Sem grandes surpresas pra quem já me acompanha no Letterboxd , essa é uma versão alternativa da lista que tenho lá (aqui foquei mais no terror mesmo, deixando alguns thrillers de fora). Gosto do terror principalmente como exercício estético e narrativo, por ser um gênero que dá bastante espaço para diretores com senso aguçado de estilo e ritmo. O medo, portanto, não é o principal fator para minha apreciação de um filme de terror, embora seja um componente valioso do mesmo. Enfim, me limitei a escolher apenas um filme por diretor para evitar que a lista fosse dominada por três ou quatro nomes (Argento, Bava, Carpenter, Cronenberg, Shyamalan, Tourneur e Fulci combinados preencheriam facilmente umas 3 listas dessa).

Fome de Viver (Tony Scott, 1983)

GUILHERME W. MACHADO É assustador constatar que Fome de Viver foi apenas o primeiro filme de Tony Scott. Assustador porque é um filme muito sólido e maduro   – num nível atípico para cineastas iniciantes – , dotado de momentos impressionantes e um patamar de direção que o próprio autor não voltou a apresentar em sua carreira de quase 3 décadas. Por mais que tenha tido outros trabalhos interessantes, como o ótimo Déjà Vú [2006], Scott jamais voltaria a se arriscar num terreno tão experimental e anticomercial. SPOILERS: Esse texto revela elementos da trama, não leia sem ter visto o filme.

Top 20 - Filmes Passados em Ambiente Único

GUILHERME W. MACHADO Essa lista é, na verdade, mais focada no conceito de " chamber film "* do que no rigorismo do ambiente único e exclusivo. Dentre esses 20 filmes escolhidos, você pode espernear e constatar que alguns têm passagens em ambientes secundários, mas todos eles tem o arco central de seus enredos desenvolvidos num cenário específico - ok, talvez Stagecoach tenha sido demais - que ocupa a maior parte da obra. Os chamber films (se há algum termo equivalente utilizado na língua portuguesa eu desconheço) me atraem bastante pelo foco nos personagens e a constante sensação de urgência que costumam trazer. É um dispositivo narrativo muito versátil - basta constatar a imensa diferença entre os filmes aqui listados - e que demanda muito do diretor, que encara o desafio de fazer o melhor possível dentro de suas limitações espaciais; não à toa que os grandes mestres costumam destacar-se nesse tipo de filme.

Film Noir [parte II]

GUILHERME W. MACHADO Fechando, então, minha seleção noir [confira aqui a primeira parte] , é a vez do chamado neo-noir. Filmes posteriores à época de ouro do gênero, entre os anos 40 e 50, mas que mantém referências claras ao mesmo e uma abordagem estilística semelhante, ainda que adaptada também ao cinema de seu tempo. Não há decréscimo de qualidade; por mais que o noir tenha há muito deixado de ser um gênero predominante, ele ainda é muito bem representado no cinema moderno, tendo sido constantemente reinventado - às vezes em exercícios narrativos bem interessantes - sob a ótica de grandes mestres, como Jean-Pierre Melville, Roman Polanski, Brian De Palma ou David Lynch, para ficar apenas em alguns.

Assalto ao Trem Pagador (Roberto Farias, 1962)

GUILHERME W. MACHADO Se existe uma temática comum facilmente localizável no cinema brasileiro é a da pobreza. Ou da luta de classes, como preferem alguns. Mas, pensando bem, por que não deveria ser? Não pode ser o cinema um reflexo da realidade? A miséria e o contraste entre rico e pobre não são marcas fortes da sociedade brasileira? De qualquer forma, a verdade é que poucos filmes conseguiram apropriar-se do assunto com tanta contundência e clareza quanto Assalto ao Trem Pagador [1962], e não por falta de tentativas.

Melhores Estreias de 2015 - Luísa

LUÍSA RIZZATTI Um pouco atrasada, mas finalmente está aí a minha lista das melhores estreias de 2015. No final das contas, eu acho difícil finalizar a lista dos tops, porque demoro para decidir quais filmes colocar e em qual ordem. Acho que essa lista acabou reunindo diferentes gêneros e atmosferas bem distintas entre si:

Oscar 2016 - Spotlight vence, mas não convence

GUILHERME W. MACHADO Depois de uma desastrosa previsão - pela primeira vez desde que comecei a prever o Oscar, na edição de 2012, errei o vencedor do prêmio de Melhor Filme -, na qual tive 15 acertos contra 6 erros nas categorias em que me propus prever, resta-me fazer o balanço final e refletir sobre os vencedores da mais famosa premiação do mundo do cinema. 

Oscar 2016 - Previsão dos Vencedores

Guilherme W. Machado

O Quarto de Jack (Lenny Abrahamson, 2015)

GUILHERME W. MACHADO Uma janela para o mundo. O conceito de realidade como aquilo com o que se tem contato imediato é algo muito interessante trazido por O Quarto de Jack . Para o protagonista (o jovem Jacob Trembaly) não existe nada além do “Quarto”, pois aquilo é tudo com o que já teve contato na vida, seu mundo está limitado a ele. As coisas mostradas na TV são “mágica”, e é do mesmo feitiço que o “velho Nick” consegue os mantimentos que leva para a cabana todos domingos. O mundo real de Jack resume-se, então, a sua mãe (Brie Larson), aos poucos pertences que tem no Quarto, ao velho Nick, ao próprio Quarto, e ao “espaço”, que é o céu visto pela claraboia presente no teto.

Premiações - Vencedores do BAFTA 2016 e a reta final do Oscar

Guilherme W. Machado Na noite de ontem foi entregue o BAFTA, prêmio da academia de cinema britânica e conhecido como sendo um dos maiores termometros pro Oscar, além de ser uma premiação prestigiosa por si só. Alejandro González Iñarritu surpreendeu os céticos vencendo os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor com o seu O Regresso - que ainda levou outros 3 prêmios - e coloca-se numa posição bastante favorável para levar o famigerado Oscar pelo segundo ano consecutivo. Iñarritu soma conquistas no Globo de Ouro, no DGA (sindicato dos diretores, que é o maior indício na categoria para o prêmio da academia) e agora no BAFTA, podendo ser considerado o franco-favorito sem muitos receios.  Do outro lado, entretanto, encontra-se A Grande Aposta, vencedor do PGA (que é um imenso passo em direção ao prêmio de Melhor Filme), fazendo com que muitos ainda apostem numa divisão: A Grande Aposta venceria como filme e O Regresso daria a Iñarritu sua segunda vitória como diretor.

O Regresso (Alejandro González Iñarritu, 2015)

GUILHERME W. MACHADO Independentemente de tudo que possa ser dito sobre O Regresso – e muito o está sendo – o novo filme de Iñarritu é, antes de mais nada, uma experiência cinematográfica. Vou nesse texto analisar alguns de seus aspectos mais conceituais e pontuar os defeitos e as qualidades que percebi, mas no fim das contas o que realmente importa nesse tipo de cinema ao qual o diretor mexicano se propôs (uma proposta bastante diferente daquela de Birdman , deve-se dizer), é a forma como cada espectador sentiu o filme. Para aqueles com os quais a experiência não foi intensa, fica difícil gostar, pois O Regresso é, acima de tudo, um filme sensorial.

Banho de Sangue (Mario Bava, 1971)

GUILHERME W. MACHADO Banho de Sangue pulsa, como pulsa o sangue vermelho escarlate do filme (sangue quanto mais artificial mais divertido, não?), num ritmo frenético e intimidante da percussão que rege sua trilha sonora. Em toda brilhante carreira de Mario Bava, nunca houve um filme tão preocupado com a relação entre o ato de olhar e a própria morte. Os personagens, em sua maioria, encontram suas mortes neste clássico pelo simples ato de olhar ou de ter olhado em momentos inapropriados.

Joy: O Nome do Sucesso (David O. Russell, 2015)

GUILHERME W. MACHADO É comum que os cineastas, principalmente aqueles que escrevem seus próprios roteiros, montem sua carreira em cima de determinados temas ou, em alguns casos, obsessões. Isso não depende de genialidade – pode acontecer com os grandes e com outros nem tanto – nem de versatilidade, pois não é uma característica necessariamente ligada ao gênero cinematográfico. Kubrick, por exemplo, fez vários tipos de filme (guerra, ficção, terror, drama, etc), mantendo em todos alguns elementos temáticos comuns de sua carreira. David O. Russell – longe de mim dizer que é um gênio – aborda mais uma vez em Joy a questão central de sua carreira: a família americana.

Film Noir [parte I]

GUILHERME W. MACHADO Não há gênero mais charmoso e melancólico no cinema. O Noir começou no cinema americano dos anos 40, foi exportado para outros países (a França teve sua boa cota de grandes exemplares do gênero) e atravessou décadas, até os tempos modernos nos quais ainda reside em um ou outro grande filme. Quando decidi finalmente sentar e fazer uma lista mais organizada desse que é um dos meu gêneros preferidos, pensei em fazê-la bastante grande, um grande compilado de noirs que eu amo, de todas épocas. Num segundo momento percebi que o projeto poderia ficar bem mais interessante dividido em duas partes: a primeira contemplaria o noir clássico e tradicional, enquanto a segunda abrangeria o dito neo-noir. Como os critérios de separação não são muito claros, adotei os seguintes: preto e branco e abaixo dos anos 60, são as duas condições para entrar nessa primeira parte da lista; colorido e acima dos anos 60 são as características que passam o filme para a segunda parte da lis...

Spotlight: Segredos Revelados (Thomas McCarthy, 2015)

GUILHERME W. MACHADO Há 40 anos atrás, em 1976,  estreava Todos Homens do Presidente , filme que configurou entre os mais aclamados de um ano com Taxi Driver , Rede de Intrigas , Trama Macabra (o último Hitchcock), O Inquilino e Rocky , vencedor do Oscar em 1977. Desde a explosão de Spotlight na temporada de premiação deste ano, muito se fala sobre suas semelhanças com a obra de Alan J. Pakula – uma comparação um tanto empolgada, ainda que válida – mas não tanto assim sobre os méritos do próprio filme.

Top 15 - Melhores Filmes de 2015

GUILHERME W. MACHADO Esses tops anuais sempre são acompanhados (comigo, pelo menos) de alguns dilemas internos. Todos filmes são razoavelmente recentes na memória, sendo que somente alguns eu tive o privilégio de rever, e por isso acabam sendo julgados muito na empolgação. O que tende  a ocorrer - e não vejo remédio para isso - é que no futuro, com alguns anos de perspectiva sobre os filmes, eu olhe para essas listas e me arrependa da forma como as ordenei, ou mesmo de algumas escolhas. Isso é algo inevitável (não à toa que se aplaude os grandes filmes por resistirem ao teste do tempo) e que acaba somente servindo de desculpa para meus desagrados com o sistema de rankeamento - amo fazer listas no que diz respeito à escolha dos filmes, mas odeio ter que colocá-los em ordem. De qualquer forma, esses são os filmes que mais gostei lançados nos cinemas brasileiros em 2015:

Os Oitos Odiados (Quentin Tarantino, 2015)

GUILHERME W. MACHADO É difícil julgar Os Oito Odiados na saída do cinema. Difícil por dois motivos: um porque o filme é uma claustrofóbica sucessão de viradas e baques, no que diz respeito à trama; o outro deve-se ao fato de Tarantino distorcer tanto a dita “narrativa clássica”, inverter tanto a lógica com a qual os espectadores de cinema estão acostumados, que é difícil não sentir algum grau de estranhamento. Por mais que nada disso seja surpresa quando se trata de Quentin Tarantino – basta lembrar que o mesmo adentrou a indústria cinematográfica com Cães de Aluguel [1992] e Pulp Fiction [1994] –, fato é que o diretor não deixa de surpreender, mesmo os fãs, a cada novo filme. (Texto SEM SPOILERS)

Labirinto de Mentiras (Giulio Ricciarelli, 2014)

GUILHERME W. MACHADO A época do Oscar vai chegando e junto dela os filmes caça-prêmios, que costumam estrear no Brasil entre os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Com isso vemos filmes como Labirinto de Mentiras, representante alemão que entrou na pré-lista de 9 filmes estrangeiros da academia: mais um filme alemão sobre o holocausto. Ok, Labirinto de Mentiras até tenta explorar um lado diferente da questão – a memória do povo alemão sobre seu passado sombrio quase duas décadas depois –, mas não consegue se desvencilhar dos vícios narrativos de filmes clamorosamente feitos sob uma fórmula de filme-de-prêmiação, como o britânico O Jogo da Imitação [2014].