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Mostrando postagens com o rótulo Drama

Trama Fantasma (Paul Thomas Anderson, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Por mais que ainda seja um filme sobre obsessões, Trama Fantasma quebra com o ciclo recente no cinema de PTA de filmes sobre a história americana, como eram os casos de Sangue Negro (2007), O Mestre (2012) e Vício Inerente (2014). E embora o próprio Anderson tenha traçado em entrevistas o paralelo de seu novo filme com Rebecca (1940), não consigo evitar enxergar um pouco mais de Vertigo (1958) nele: o homem que obsessivamente tenta reconfigurar a personalidade da mulher através do figurino.

A Forma da Água (Guillermo Del Toro, 2017)

GUILHERME W. MACHADO Depois de uma sucessão de filmes que pareciam muito mais preocupados em explorar tonalidades visuais, é estranho que Del Toro entregue um filme tão menos intenso e inventivo naquilo que lhe é mais caro como cineasta: a forma. Ainda mais por esse A Forma da Água ter vindo logo depois daquele que provavelmente é seu filme mais bem resolvido no aspecto artesanal e estético de seu trabalho (ainda que altamente problemático em quase todos outros): A Colina Escarlate (2015).

Roda Gigante (Woody Allen, 2017)

GUILHERME W. MACHADO O cinema como palco sempre foi uma questão tentadora na carreira de Woody Allen. Daí partiu a confusão recorrente de que o cineasta fazia “teatros filmados” – uma baboseira que, não fosse tão absurda, nem valeria o comentário –, numa falha generalizada de perceber que seus filmes apenas partem de bases teatrais (os diálogos como alicerce que movimenta a narrativa) para chegar ao cinema (decupagem, close-ups, temporalidade fragmentada, etc), linguagem na qual Allen é traiçoeiramente bem versado.

Moonlight (Barry Jenkins, 2016)

GUILHERME W. MACHADO Corpos sufocados pelo ambiente e personalidades compostas por ele. Moonlight , filme papa prêmios do ciclo da crítica, mas mero espectador na corrida do Oscar (embora deva sair com dois prêmios, não chega a brigar pelos principais: filme/diretor), é um filme que consegue estabelecer uma abordagem sutil, ainda que incorra seus excessos cênicos – fotográficos, principalmente – na tentativa de adotar um tom operístico, que mais interfere com o bom fluxo de imagens do que agrega a ele.

Sob o Signo de Capricórnio (Alfred Hitchcock, 1949)

GUILHERME W. MACHADO Acredito que tenha sido um impulso subconsciente – embora não possa afirmar que não foi, de fato, uma escolha consciente – que levou Alfred Hitchcock a tantas vezes retratar a angústia de mulheres presas pelo casamento ou convenções sociais. Parando pra pensar, é um tema bastante prolífico na carreira do diretor, com uma listagem de obras surpreendentemente extensa, mas nunca de forma tão frontal quanto em dois filmes: Interlúdio [1946] e esse Sob o Signo de Capricórnio [1949]. Filmes que compartilham, além do diretor e desse tema específico, da mesma atriz, Ingrid Bergman.

Manchester à Beira-Mar (Kenneth Lonergan, 2016)

GUILHERME W. MACHADO É estranho que Manchester à Beira-Mar esteja cotado com tanta segurança para ir ao Oscar 2017 nas principais categorias. Não é nem que seja muito fora dos moldes, ou vanguardista em qualquer medida, mas me parece um filme muito seco para os padrões dramáticos da academia. Muito contido, inclusive em suas atuações. Enfim, não é um tópico no qual valha a pena se aprofundar, apenas um comentário que pode ser ignorado pelo leitor, então não gastarei mais do que esse primeiro parágrafo tentando especular o que a academia do Oscar pensa ou não. Vamos ao filme.

O Último Ato (Barry Levingson, 2014)

GUILHERME W. MACHADO Alguns meses atrás, Birdman   (clique para ler a crítica) – filme vencedor do Oscar de 2015 – estreou nos cinemas brasileiros, causando bastante discórdia tanto na crítica (havendo divergência inclusive aqui no blog) quanto no público. Semana passada, o novo – e, espero eu, o último – filme de Barry Levinson, O Último Ato , mostra, a partir de um ponto de partida de trama extremamente semelhante, o quão ruim Birdman poderia ter sido nas mãos de um artista menor que Iñarritu (que, convenhamos, não é nenhum gênio).

O Ano mais Violento (2014)

GUILHERME W. MACHADO A cidade de Nova York, coberta pela neve e pela violência, se estabelece como um cenário improvável da luta pela vitória, pelo sucesso do “american dream”, de Abel Morales. É esse tipo de paradoxo que O Ano mais Violento explora ao longo de sua projeção. J.C Chandor ( Margin Call , Até o Fim ), um dos cineastas mais notáveis do momento, faz um trabalho de atmosferização invejável, alternando entre a hostilidade e a elegância dessa grande cidade neste ano de 1981, registrado como um de seus anos mais violentos.

Manhattan (Woody Allen, 1979)

GUILHERME W. MACHADO "Chapter One. He was as tough and romantic as the city he loved. Behind his black-rimmed glasses was the coiled sexual power of a jungle cat. Oh, I love this. New York was his town, and it always would be." (ALLEN, Woody; Manhattan, 1979) Não vou mentir nem usar meias palavras: é um verdadeiro desafio dissertar sobre um filme como Manhattan . Essa é uma obra tão rica em referências e reflexões sobre os mais diversos temas, que combinam-se a uma grande qualidade plástica e técnica, permeada ainda por um humor inteligente e afiado, que torna o meu trabalho de criticá-la uma tarefa tão difícil – sendo quase impossível abordar todo seu conteúdo num texto pequeno ou médio – quanto gratificante.

CriticVideo - Leviatã (Leviafan, 2014)

TEXTO DE: Guilherme W. Machado Andrey Zvyagintsev, através de um magnífico trabalho imagético, nos transporta para uma fria e insípida cidadezinha no interior da Rússia atual para contar a universal história de um cidadão comum, pai de família, prestes a ser desapropriado de sua casa para atender aos caprichos de um governo corrupto e onipotente. O Leviatã do título é um elemento metafórico presente ao longo de toda película, seja na sua relação com a criatura bíblica ou com o estado absolutista teorizado por Thomas Hobbes. Zvyagintsev recheia seu maravilhoso roteiro com subtramas, relações familiares e reflexões [críticas] acerca da religião, fazendo de Leviatã um filme atemporal que não se prende na Rússia atual, ainda que dispare muitas críticas sobre a mesma. A narrativa kafkiana - tanto na temática (homem comum x burocracia/estado) quanto na abordagem realista da mesma -, muito evidenciada no vídeo,  imbue o filme com um realismo potente, que se soma aos milimétricos ...

Grandes Olhos (2014)

MATHEUS R.B. HENTSCHKE Frequentemente se vê nos noticiários inúmeros casos de violência contra às mulheres. Esse número é tão espantoso que, em pesquisa realizada recentemente, 3 em cada 5 mulheres jovens disseram já ter sofrido algum tipo de violência. Contudo, a dúvida que perpassa a cabeça de quem ouve tais atrocidades ocorrerem é: “Por que essas mulheres, muitas vezes, não tomam uma atitude? Não se separam de seus maridos abusivos? Não denunciam tais agressores?” Nesse sentido, o mais novo trabalho do diretor Tim Burton (Ed Wood), Grandes Olhos , consegue trazer à tona tal debate, em uma obra que se diferencia muito do teor de seus filmes anteriores.

CriticVideo- Corações de Ferro

Diretor : David Ayer //  Roteiro : David Ayer //  Elenco Principal : Brad Pitt, Jon Bernthal, Shia LaBeouf, Michael Peña, Logan Lerman//  Gênero : Ação/ Drama/ Guerra //  Nacionalidade : Estados Unidos, China, Reino Unido //  Duração Aproximada : 134 min TEXTO DE: Matheus R.B. Hentschke Essa é a estreia da mais nova seção do CriticPop chamada CriticVideo (sim, segunda do ano, a outra foi a Música do Mês). Nessa categoria será postada uma pequena crítica acerca de algum filme visto pelos escritores do blog, acompanhado de algum vídeo referente a película analisada. Tal recurso foi criado após percebermos que, nesse período pré-oscar, se tornou impossível acompanhar todos os filmes da premiação e mais outros que estrearam junto e que são de interesse do público também. Além disso, durante o ano será um recurso valioso o CriticVideo, em virtude dos mais diversos compromissos que se acumulam ao decorrer dos me...

Locke (2014)

GUILHERME W. MACHADO Locke prova como o cinema pode ser uma arte simples e ainda envolvente. Com um ótimo roteiro e um grande ator, sem nada comprometedor nos outros setores, Steven Knight (Redenção) entrega uma obra envolvente e de resultado positivo. Os simples fatos da ambientação do filme ser inteiramente num carro, se passar em tempo real, e de apenas um ator aparecer, realmente, durante toda sua projeção, tornam Locke um projeto arriscado, com tudo para ser enfadonho, o que só faz enaltecer ainda mais a competência dos dois trunfos da obra: Tom Hardy (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e o roteiro de Knight.

O Jogo da Imitação (Morten Tyldum, 2014)

GUILHERME W. MACHADO O Jogo da Imitação confronta-se com uma tarefa quase tão difícil quanto a de seu protagonista: entrar na mente de um homem “extraordinário” (no sentido literal da palavra) e torná-la compreensível para as pessoas “ordinárias”. No início da década de 60, um cineasta visionário buscou algo semelhante, filmando um dos mais espetaculares estudos de personagem da história do cinema acerca de um personagem real e durante uma guerra real, essa obra segue como referência até hoje: Lawrence da Arábia (David Lean, 1962). Infelizmente, as semelhanças entre o novo filme da Weinstein Company e o clássico de Lean limitam-se apenas à ambição, passando longe da realização.

Closer - Perto Demais (2004)

 MATHEUS R.B. HENTSCHKE Na literatura, a paixão e a desilusão amorosa já foram tratadas com maestria pelas palavras e textos de grandes mestres, como Érico Veríssimo e sua obra Olhai os Lírios do Campo, em que um jovem médico, ambicioso por ter prestigio, como nunca tivera na infância, por advir de uma família humilde, toma uma sucessão de decisões erradas, deixando seu verdadeiro amor de lado, a fim de suprir sua necessidade compensatória. Ao perceber o erro, o tempo já não mais permitia remendos, somente conviver com o que sobrou do seu ser e tentar viver e se reconstruir com esse resto, esse vazio.

Ida (Pawel Pawlikowski, 2013)

GUILHERME W. MACHADO Nunca gostei muito de expressões como “filme de arte”, até porque nada dizem, realmente, sobre as obras as quais se referem. O que, afinal, faz de um filme um filme-arte? O polonês Ida , um dos grandes candidatos para vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2015, vem sendo descrito como tal. Seria pela sua fotografia em preto e branco? Seu formato de tela 4:3 (tela quadrada), que era mais utilizado em filmes antigos? Sua narrativa introspectiva e “lenta” (como é geralmente chamada)? Ou seria pelo seu enredo que busca, pretensiosamente, discutir temas como a religião, relações familiares e o próprio passado histórico da polônia? Enfim, não sei dizer se Ida é um filme de arte, ou por que, mas é evidente que Pawlikowski buscou, para essa sua obra, inspiração num cinema já incomum aos tempos atuais, como o do mestre dinamarquês Carl Theodor Dreyer  – nem preciso dizer o quão distante em qualidade está essa comparação, mas fato é que não foi um frac...

Dois Dias, Uma Noite (Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, 2014)

GUILHERME W. MACHADO Os irmãos Dardenne adentram ainda mais a estrutura narrativa do neo-realismo italiano, como é conhecido, mantendo ainda semelhanças com sua premiada obra anterior: O Garoto da Bicicleta (2011).  Ambos filmes contam histórias de pessoas simples, classe-média baixa e habitantes de pequenas cidades, em situações realistas (passadas num espaço relativamente curto de tempo) e que suscitam questões morais rotineiras – mas não por isso menos profundas. O formato estético e narrativo também é semelhante, ainda que, a meu ver, o filme anterior demonstrasse um trabalho mais maduro nesse aspecto, enquanto essa obra levanta questionamentos mais interessantes, possuindo um roteiro mais envolvente e melhor estruturado.

O Garoto (Charles Chaplin, 1921)

GUILHERME W. MACHADO Durante a época do cinema mudo – época essa que anda chamando muito minha atenção nos últimos tempos e que desejo conhecer ainda mais a fundo – nenhum cineasta, por mais geniais que fossem Buster Keaton, D.W Griffith, F.W Murnau, etc, conseguia (e ainda consegue) nos emocionar tanto quanto Chaplin. Talvez isso se de pelo fato da grande maioria, para não dizer todas, histórias dele serem protagonizadas por pessoas imperfeitas que tentam fazer seu melhor em situações difíceis. O fator da identificação – mesmo que não diretamente com nossas vidas, mas com o que observamos – influência para que a história nos toque. Além, claro, da competência de Chaplin na dramatização, sem o uso de exageros melodramáticos.

12 Anos de Escravidão (Steve McQueen, 2013)

GUILHERME W. MACHADO Muito está se falando sobre o tão esperado 12 Anos de Escravidão , o provável vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2014. É bem verdade que o filme de Steve McQueen dá o que falar, de uma maneira ou de outra. Nunca o tema da escravidão foi mostrado com tanta crueza e realidade, pelo menos não com a abrangência (em termos de exibição ao público) que esse filme alcançou. Tarantino já provoca repugnância em relação à escravidão com seu Django Livre , mas numa proposta mais descontraída. Se ele é tudo isso que falam eu tenho minhas dúvidas; entretanto, crédito deve ser dado pelo ímpeto e pelo sucesso já alcançado.